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Sistema de exploração

As Raças Bovinas Autóctones são um património animal que por estar ligado à vida dos povos faz portanto parte da sua cultura. Estas raças desempenham um papel de extrema importância na nossa agricultura, nomeadamente nos agricultores de montanha, pois só assim conseguem trabalhar as suas pequeníssimas leiras, obter estrume para a adubação das suas terras, e valorizar os seus recursos alimentares disponíveis (carqueja, tojo, etc.).

A área de produção da raça Bovina Barrosã caracteriza-se por diferentes zonas produtivas e consequentemente sistemas produtivos. Relativamente à estrutura da exploração verifica-se que as áreas da dimensão da exploração é distinta no Alto Minho e Cávado (explorações de 3 a 5 ha), relativamente ao Barroso, Ave e Basto (explorações com mais de 5 ha). As explorações são bastante parceladas e dispersas, o que não é de estranhar uma vez que se trata de explorações de bovinos de raças autóctones na sua maioria de pequenos produtores em que a extensificação produtiva não se observa e a localização geográfica é outro dos factores limitantes.

Para além do aproveitamento dos pastos próprios, verifica-se em toda a zona de produção uma elevada utilização de baldios, pelos próprios condicionantes do sistema produtivo e da estrutura fundiária da propriedade. O sistema alimentar, caracteriza-se pela utilização de forragens verdes e conservadas (erva, palha e feno), utilizando-se como suplemento o milho (farinha) e concentrados essencialmente nos momentos críticos da fisiologia animal, como o aleitamento.

O perfil do produtor da raça é envelhecido, com um grau de instrução reduzido (maioritariamente a 4ª classe). É um agricultor a tempo inteiro na exploração, em que as fontes de rendimento provêm essencialmente da agricultura, os bovinos de raças autóctones e as suas receitas importam em cerca de 75% do valor total de receitas da exploração. Ainda como fonte de rendimento a valorização do trabalho e estrume é um factor importante a considerar. A forma de exploração predominante é a conta própria.

O efectivo pecuário dominante caracteriza-se por um encabeçamento nas zonas de produção do Minho de 2 a 3 cabeças adultas, e no Barroso de 6,5 cabeças adultas. A idade ao desmame situa-se normalmente entre os 4 e os 6 meses, sendo comum em toda a região de produção a idade ao desmame aproximar-se dos 6 meses de idade, quer seja para recria quer seja para abate, isto justifica-se pelas regras do caderno de especificações da "Carne Barrosã" impostas pela entidade responsável pela comercialização do produto. Diversos autores apontam idades próximas dos 5-6 meses de idade.

O sistema de cobrição mais utilizado é ainda o da cobrição natural, com touro da própria raça normalmente não pertencente ao produtor, o que se explica dado se tratar de zonas de baixo encabeçamento (Minho), tal facto contrasta com a zona do Barroso na qual já se verifica um grande número de produtores que possuem touro próprio (efectivos de maior dimensão). A Inseminação Artificial sendo uma prática recente e pouco corrente na raça Barrosã, tem vindo a aumentar o que trará benefícios para o agricultor ressalvando aspectos como a biodiversidade e a consanguinidade.

A primeira cobrição é entre os 15 e os 18 meses de idade embora ainda haja um número significativo de produtores que de uma forma algo precoce inicia o ciclo reprodutivo (menos de 15 meses) das suas fêmeas, o primeiro parto situa-se entre os 24 e os 36 meses. A idade ao primeiro parto encontra-se entre os 30 e os 33 meses de idade. A duração média do intervalo entre partos é de 12 a 15 meses, valores normais para o objectivo principal da exploração da raça, a produção de carne e também aceitáveis atendendo às condições desfavoráveis do meio típico desta raça. Não se verifica uma época bem definida de partos ao longo do ano, há uma distribuição de partos ao longo do ano.


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